25 de março de 2013
Vítimas da ditadura militar terão ajuda psicológica nas 'Clínicas do Testemunho'
22 de março de 2013 | 15h 53
Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo
RIO - Entrar com um processo de reparação econômica pelos danos sofridos durante a ditadura ou depor na Comissão da Verdade, que investiga violações aos direitos humanos cometidos entre 1946 e 1988, é uma dolorida volta ao passado. Reunir documentos, puxar pela memória, relatar fatos, datas e nomes são providências necessárias, mas penosas. Pensando nas pessoas que tomaram essas iniciativas e em outras vítimas da violência do Estado, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça lançou o projeto Clínicas do Testemunho, que prestará durante dois anos atendimento psicológico a ex-presos e perseguidos políticos e suas famílias.
Fabio Motta/AE
Torturada entre 1970 e 1974, Ana Miranda procurou atendimento no Tortura Nunca Mais, em 2001
Quatro projetos-piloto começarão os atendimentos - dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre, com investimentos federais de R$ 2,4 milhões. Um quinto projeto, em Recife, é patrocinado pelo governo de Pernambuco, ao custo de R$ 600 mil. O primeiro passo é a chamada pública de adesão voluntária ao projeto, que começou esta semana e vai até 6 de abril. Em outra frente, o projeto capacitará profissionais de saúde mental para o atendimento a vítimas do abuso estatal.
"A ideia surgiu a partir dos dez anos de atuação da Comissão de Anistia e dos milhares de testemunhos colhidos voluntariamente. Esse processo histórico e político de dar voz aos que foram calados arbitrariamente, por si só, é terapêutico. Para muitos, significa a libertação do peso da imposição do silêncio e do esquecimento. Sentimos que era preciso um passo adiante. O dever de reparação, como se sabe, é imprescritível. E cabe ao Estado, outrora criminoso, manter um serviço de apoio psicológico aos que ele mesmo prejudicou", diz o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.
Entre 1991 e 2010, o Grupo Tortura Nunca Mais ofereceu atendimento psicológico a vítimas de torturas durante a ditadura, em um projeto financiado por organismos internacionais. A psicóloga Vera Vital Brasil fez parte da primeira equipe de terapeutas do Tortura Nunca Mais e agora coordena o projeto-piloto no Rio de Janeiro, que atendimentos em grupo e individuais. "A Comissão de Anistia percebeu o quanto as pessoas precisam de atendimento psicoterápico. As marcas da tortura não se extinguem quando cessa a tortura. A violência da tortura é irreparável. O que se pode conseguir é ter alívio psíquico, entender o processo de outra maneira", diz Vera, ela mesma ex-presa política. No projeto do Rio também está previsto o acompanhamento de pessoas que decidem depor na Comissão da Verdade.
Presa entre 1970 1974 e torturada nas dependências da repressão em São Paulo e no Rio, Ana Miranda procurou o atendimento do Tortura Nunca Mais em 2001, quando, depois de muita insistência de amigos e parentes, decidiu entrar com o processo de reparação econômica. Ana teve que se submeter até mesmo a um exame para provar a inexistência de um rim, perdido em consequência das torturas.
"Nessa época fiquei deprimida, tive crises de alergia. A violência foi deles e eu tinha que correr atrás de provar o que tinha sofrido. Fui me tratar na clínica do Tortura Nunca Mais. Os terapeutas têm um olhar diferenciado que ajuda muito. O sofrimento não passa, mas você consegue dar outro significado. As Clínicas do Testemunho têm esse sentido", diz Ana que, depois da prisão, concluiu o curso de Farmácia na UFRJ.
Um dos projetos de São Paulo será coordenado pelo psicanalista Moisés Rodrigues da Silva Júnior, diretor do grupo Projetos Terapêuticos. Moisés optou por atendimentos apenas em grupo. "A gente acredita na potência que um grupo comporta, o suporte de um coletivo é fundamental. Atendemos pessoas que têm histórias de violência, mas quem sofreu a violência foi a sociedade, os grupos são articuladores potentes entre o indivíduo e o social", diz Moisés.
Em Porto Alegre, a psicanalista Bárbara Conte, responsável pelo projeto-piloto da Clínica do Testemunho, tem planos de atender até 70 pessoas nos próximos dois anos no que ela chama de "escutas psicanalíticas". "É a possibilidade de falar de algo que ficou engasgado. Quanto maior a violência, mais a pessoa se fecha. Quando se fala em reparação, não é esquecer, mas abrir a possibilidade de dar um novo destino a uma experiência traumática", diz Bárbara, que atenderá pessoas que sofreram diretamente violações por parte do Estado e parentes de até segundo grau, além de capacitar profissionais para tratar dessas vítimas.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,vitimas-da-ditadura-militar-terao-ajuda-psicologica-nas-clinicas-do-testemunho,1012076,0.htm
20 de março de 2013
Conversas Públicas - Projeto Clínicas do Testemunho
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ANEXO I
FICHA DE INSCRIÇÃO
Nº________________
(para preenchimento pela Comissão de Anistia)
SELEÇÃO PARA ATENDIMENTO - PROJETO CLINICAS DO TESTMUNHO - COMISSÃO DE ANISTIA
NOME COMPLETO DATA DE NASCIMENTO
____/____/_____ PRIORIDADE PORCONDIÇÃO ECONOMICA?
SIM ( ) NÃO ( )
NATURALIDADE ENDEREÇO COMPLETO E-MAIL Fone ENDEREÇO
CIDADE UF É ANISTIADO POLÍTICO
SIM ( ) NÃO ( )
PROCESSO NA COMISSÃO DE ANISTIA
Número do Protocolo: Próprio ( ) Familiar ( )
FAMILIARES DE ANISTIADOS
SIM ( ) NÃO ( )
QUAL O GRAU DE PARENTESCO?
INDIQUE A CLÍNICA DO TESTEMUNHO DE SUA PREFERÊNCIA
( ) SÃO PAULO PROJETOS TERAPÊUTICOS
( ) SÃO PAULO SEDES SAPIENTIAE
( ) RIO DE JANEIROPROJETOS TERAPÊUTICOS
( ) RECIFE CENTRO ESTADUAL DE APOIO ÀS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA DE PERNAMBUCO
( ) PORTO ALEGRE SIGMUND FREUD
ATENÇÃO: Essa ficha de inscrição deverá ser encaminhada para o e-mail: clinicas.testemunho@mj.gov.br
PAULO ABRÃO
Presidente da Comissão de Anistia"
12 de março de 2013
Projeto Clínicas do Testemunho
Projeto Clínicas do Testemunho
Lançamento Nacional,
aguarde,
em breve mais informações!
aguarde,
em breve mais informações!
30 de janeiro de 2013
Projeto Sig Testemunha
Este projeto é fruto
de inscrição da SIG em edital do Ministério da Justiça / Comissão
de Anistia, com o nome Projeto Clínicas do Testemunho, em 2012, com
o objetivo de promover a reparação de violações a direitos
fundamentais praticadas entre 1946 e 1988, configurando-se um espaço
de reencontro do Brasil com seu passado, subvertendo o senso comum da
anistia enquanto esquecimento.
Ao sermos selecionados
em outubro de 2012, o projeto por nós elaborado tem o nome de SIG
Testemunha: reconstruindo memórias e passa a se integrar no Projeto
SIG Intervenções Psicanalíticas. Sig Testemunha tem o objetivo de
escutar sujeitos vítimas da violência de estado, assim como seus
familiares em um período compreendido entre 1964/1988. Visa
trabalhar psiquicamente as vivências traumáticas que marcam a
história destes sujeitos assim como de seus familiares e
reconstruir a memória coletiva que dá acesso ao conhecimento da
história vivida em nosso país nesse período e que até agora foi
silenciada.
Busca também a
capacitação teórico-prática de agentes e profissionais da Saúde
mental e Coletiva do Município de Porto Alegre, bem como fóruns,
seminários e encontros multiprofissionais que junto às esferas
universitárias, sociedade civil e outras instituições, possam
produzir conhecimento sobre a importância do tema na atualidade.
O Projeto tem a duração
de dois anos e iremos divulgar em nosso blog as atividades que vamos
desenvolver a partir de março de 2013. Temos convicção da
importância deste trabalho para a elaboração do traumático
vivido pelos sujeitos que vivenciaram estes acontecimentos, bem como
trazer ao conhecimento da sociedade, através da produção escrita,
um período de nossa história político-social que ficou
silenciado por tantos anos. A SIG, a psicanálise, se comprometem
neste projeto com a escuta ética e a produção de conhecimento
decorrente dos estudos a serem realizados.
9 de novembro de 2012
O Estrangeiro
A Sigmund Freud Associação Psicanalítica
realizou nos dias 26 e 27 de outubro um seminário com o tema do estrangeiro que
reuniu profissionais das áreas do Direito, da Linguística, da Antropologia para
debater temas como o deslocamento, exílio, refugiados, exilados. A discussão
foi rica na diversidade e abordou a passagem da língua materna à língua
nacional, as possibilidades de traduções possíveis, os campos nômades de
sentidos até a forma máxima de violência que é o silenciamento da língua. A
questão da lei foi abordada desde a perspectiva de criar soberania, dogmatização, até a compreensão de marcar
fronteiras que visam a permeabilidade e o deslocamento que propicie as relações
sociais entre os que passam a habitar um outro país e os que nele vivem como
cidadãos, distinção também debatida entre nacionalidade e cidadania.
Ponto alto de nosso encontro foram os depoimentos de vida e
do trabalho realizado – que evidenciam a prática que implica o sujeito – de
Luis Varese, Cleber Kemper e Karin Wapeschowski sobre o trabalho com
refugiados, mortos e desaparecidos políticos e o reassentamento solidário, a partir de instituições como ACNUR, ASAV e
Secretária dos Direitos Humanos da Presidência da República. Tema que nos
convoca como uma realidade de nosso século onde temos 40.000 refugiados e em
nosso país, passamos, através da Comissão da Verdade, a dar conta de conhecer e
tornar conhecido o período da ditadura militar, suas práticas e suas vítimas.
Este encontro foi um exercício de interdisciplinariedade,
pluralidade de ideias e da vitalidade da psicanálise em sua contribuição neste
debate, tanto teórica quanto clinicamente, como demonstraram os trabalhos
apresentados que fazem parte de nosso projeto SIG Intervenções
Psicanalíticas.
7 de novembro de 2012
O Estrangeiro - Entrevista com Luís Varese
Entrevista com Luís Varese
Jornalista, antropólogo e ex-representante da ACNUR no Brasil.
1.Qual a sua experiência/ Conte um pouco de sua experiência com o estrangeiro/refugiado?
3.Como que o senhor vê o trabalho interdisciplinar frente ao padecimento/sofriment
Jornalista, antropólogo e ex-representante da ACNUR no Brasil.
1.Qual a sua experiência/ Conte um pouco de sua experiência com o estrangeiro/refugiado?
El tema principal del refugiado es
que pierde su tejido social. Esto quiere decir que pierde su entorno, sus
comidas, sus parientes, sus amigos el olor de su barrio o de su tierra. El
sonido de la radio de sus vecinos. Las amigas con las que lavaba la ropa, la
tertulia de la tarde con la mamá y las hermanas. El sabor de su café. El partido
de fútbol con los amigos o la televisión del bar y sus cervezas para ver a su
selección. La vida cotidiana con sus alegrías y sus tristezas, su trabajo y el
derecho a llevar un salario a la casa. Pierde lo más simple y lo más
fundamental de su vida. Esto ocurre de un momento a otro, sin planificarlo. Es
el cambio más violento que se pueda tener. Ella y él, su familia, tienen que
afrontar cambios brutales, inesperados para los que NADIE está preparado. NADIE
así con mayúsculas y mucho menos personas que no tienen militancia, personas
que creen que su país es el mundo conocido, personas que piensan que su mundo
es el único que existe y en el cual es posible vivir, personas campesinas que
se bañan en el río y que de golpe se encuentran en una ciudad fría y con una
agresividad desconocida.
Frente a ello el trabajo requiere
mucho afecto, mucho amor mucha ternura, mucha solidaridad. Sin esto no hay
ninguna posibilidad de restituir lo perdido o de crear un nuevo espacio. Este
trabajo requiere de mucha militancia humana, esa es mi experiencia con los y
las refugiadas y vale también para los migrantes pobres. Una experiencia de 24
años trabajando para buscar soluciones conjuntamente con las refugiadas y los
refugiados, las ONGs, el Estado y las Naciones Unidas, en este caso el ACNUR.
Quisiera añadir que me disculpen que
hable en primera persona, pero me parece importante decir que mi esposa, mis
hijos y yo hemos sido refugiados durante muchos años. En mi caso durante 20
años no pude regresar a mi país. Esto
nos permite tener una vivencia muy cercana con los refugiados y las refugiadas.
Sabemos lo que es estar como extranjero, perseguido en un país donde inicialmente
casi no se tienen relaciones.
Por otra parte mi experiencia con
exiliados se inicia cuando era periodista en Perú y muchos refugiados de
Brasil, Argentina, Uruguay y Chile estaban en Lima. Eran poetas, políticos,
escritores. Thiago de Mello y Darcy Ribeyro estaban entre ellos. Es mucho lo
que aprendí en ese periodo, pero esa es otra historia.
2.De acordo com sua experiência quando Representante do ACNUR, quais os grandes desafios na esfera das Políticas Públicas para o
acolhimento e integração do refugiado na América Latina?
Lo más importante es que las
políticas públicas sean incluyentes y efectivas con toda la población, no solo
para los refugiados, sino para toda la población en general. El acceso a la
salud y la educación son fundamentales. La educación permite velozmente la
integración de los niños y eso es un gran descanso espiritual, sicológico para
las familias refugiadas. El derecho al trabajo es básico, sin él no hay forma
de integrarse. En Rio Grande do Sul y en especial en Porto Alegre, la apertura es
muy grande. Lo importante es que no haya privilegios, pero tampoco
discriminación. Si hay privilegios, la población local se vuelve en contra y el
refugiado o se humilla o se vuelve dependiente. El derecho a la documentación
que le dé los mismo derechos es el otro elemento decisivo para la integración.
3.Como que o senhor vê o trabalho interdisciplinar frente ao padecimento/sofriment
o desses sujeitos (refugiados)?
El trabajo humanitario tiene
que ser interdisciplinario. Es la combinación de muchas experiencias,
la psicología, la solución laboral, la medicina, la asistencia social, la
diplomacia.
No se puede entender un trabajo
humanitario si no es interdisciplinario. Pero también hay que recordar que no
hay éxitos, sucesos, sin una gran dedicación y mucho amor y solidaridad por la
gente. Eso es lo fundamental.
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