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16 de maio de 2012

Reconhecimento



“Não há mapa, só há bussola”

Frase citada por Luis Correa, no III Colóquio de Emergência Social, realizado pela Associação Psicanalítica do Uruguai nos dias 04 e 05 de maio em Montevidéo. Encontrarmos rumos para o nosso projeto SIG Intervenções Psicanalíticas, a partir de aportes teóricos e de encontros como este, nos dá uma direção para construirmos mapas de reconhecimento de território. Esta é a ideia de reconhecimento que encontramos no trabalho com os grupos nas diferentes frentes de intervenção.

Reconhecimento possui o significado de aceitação, de legitimidade. Em Psicanálise, podemos relacionar o reconhecimento ao teste de realidade. A possibilidade de reconhecer o seu lugar. Não se confundir com o outro e saber dos limites do seu território é que abre a possibilidade da construção de identidade.

Se, por um lado, os sujeitos tornam o outro invisível, ou sentem-se invisíveis, não se sentem acompanhados e ficam presos ao seu narcisismo. Por outro lado, estão submetidos ao lugar que o outro lhe confere. O reconhecimento está no território entre o eu e o outro. Precisamos retomar o estudo da Psicopatologia da Vida Cotidiana. Mais do que nos perguntarmos sobre a Psicopatologia, quando estamos falando em intervenções extramuros, precisamos entender o que é vida cotidiana. O que seria cotidiano e não uma repetição mortífera? Qual é vida cotidiana hoje? Qual é a vida cotidiana de cada grupo?

Gustavo Leal, sociólogo, abriu como norte de nossa bússola de trabalho, o de construirmos um discurso que represente os ideais. Não bastam palavras sem representação e nem um silêncio que negue a violência. É preciso construir um discurso de reconhecimento de território e ideais para que os sujeitos possuam movimento e saiam da apatia.

O objetivo de um trabalho de intervenção psicanalítica é escutar os sujeitos a partir de seu lugar de inserção em diferentes grupos. Percebendo os seus limites e o seu papel no intercâmbio. Cambio significa troca e não mudança. Perceber que o passado integra-se ao presente é o cambio entre os sujeitos.

Participar deste encontro que abordou o tema da educação, da prevenção primária, da violência, de alternativas de intervenção: como as “maestras comunitárias”, dos muros, das drogas, da ação política de nosso fazer como psicanalista foi uma emocionante e estimulante vivência de nossa prática.

Simone Engbrecht e Bárbara Conte

16 de maio de 2011

Sigmund Freud Associação Psicanalítica e Interagir: um encontro frutífero

Em uma atividade com crianças carentes da comunidade a menina diz para a voluntária “o menino está passando a mão na minha amiga”. É um fato que revela a curiosidade sexual de crianças que exploram o corpo ou é a denúncia de que seu corpo é invadido pela sexualidade de um adulto e ele repete o ato com a amiga? O que é a sexualidade infantil ou sua variação traumática e intrusiva que é o abuso sexual? A equipe do Interagir nos chamou para ouvir e falar sobre a sexualidade em suas múltiplas versões.
Foi um dia de muito frio em agosto de 2009, mas que se transformou em um caloroso encontro onde experiências, dúvidas e inquietudes foram partilhadas a partir da vivência  prática de voluntários que participam do projeto social do Sport Club Internacional e de psicanalistas da Sigmund Freud Associação Psicanalítica.
O que é a Sigmund Freud Associação Psicanalítica? Uma instituição que há 21 anos está dedicada à transmissão e à formação em psicanálise e que oferece atendimento privado em sua Clínica Psicanalítica. Além disso, considera que há especificidades da infância, da adolescência e de adultos em diversos espaços educacionais, recreativos e pedagógicos que podem ser pensados com os recursos da psicanálise, o que resulta em intervenções psicanalíticas para além do espaço institucional privado. Assim nasceu o Projeto SIG - Intervenções Psicanalíticas.
Tendo em nosso nome a marca do fundador da psicanálise, não poderíamos deixar de citá-lo para fazer clara nossa idéia de que o individual e o social são objetos da psicanálise: “é verdade que a psicologia individual se restringe ao ser humano singular e estuda os caminhos pelos quais busca alcançar a satisfação de suas pulsões. Porém, raramente, sob determinadas condições de exceção, pode prescindir dos vínculos deste indivíduo com outros. Na vida psíquica do indivíduo, o outro está como modelo, como objeto, como auxiliar e como inimigo, e por isso desde o começo a psicologia individual é simultaneamente psicologia social neste sentido mais lato, porém inteiramente legítimo”. (Freud,1921,p.67)
Estas idéias de Freud inspiram nossa proposta de pensar o sujeito em seu processo histórico e social. Utilizamos a psicanálise, em seus pressupostos, para promover, a partir da escuta, capacitação, assessoria e treinamento de diferentes grupos e instituições de Porto Alegre, que desenvolvem projetos na rede pública ou privada onde a ênfase é o trabalho de inclusão/exclusão social.
Nosso momento inaugural desta proposta foi através do encontro com os voluntários e a psicóloga do Projeto Interagir. A idéia de um projeto de responsabilidade social como o do Inter, pode ser pensada na perspectiva de um comprometimento com sujeitos em um singular processo de transformação.
Neste sentido, pensamos o voluntariado como um engajamento civil que se organiza em torno de uma causa, na qual se engajam cidadãos comprometidos com uma mudança social. Esta é uma nova modalidade de voluntariado técnico, que se propõe não a um assistencialismo, mas sim a um movimento de rede que trabalhe nas alterações das relações sociais. Assim, entendemos que as ações possam ser transformadoras. O Interagir e a SIG, naquele encontro, fizeram a ação se tornar transformadora.
A Sigmund Freud Associação Psicanalítica continua seu caminho, estabelecendo novas parcerias e tratando de efetivar intervenções psicanalíticas que oportunizem mudanças na sociedade por meio da inclusão de sujeitos na rede social.

Bárbara de Souza Conte. Psicanalista. Doutora em Psicologia.